Ultimamente tenho perguntado para as pessoas se elas são felizes. Se o trabalho a satisfaz, se as escolhas feitas são os melhores caminhos para se percorrer, ou se o espelho tem traduzido a verdade sobre si mesmo.
Sabe o que descobri? Que nem sempre passo às pessoas a melhor impressão sobre mim.
É... soa meio falso. Observe: Sou estudiosa, independente*, tenho responsabilidades e um monte de sonhos, entre eles casar e ter dois filhos. Por incrível que pareça, poucas pessoas acreditam que eu quero cuidar do meu esposo, da minha casa, ser uma mãe brincalhona, fazer comida...
No meu trabalho passo a imagem de uma menina meiga, inocente de tudooo (OK, sou inocente de muita coisa, mas de tudo já é apelação!), feliz e sorridente. Segundo o Chico Dutra, pauteiro do Nacional, sou uma jornalista que ainda tem coração (ótimo, ainda é bem animador)!
Para a minha família, sou uma menina esforçada, batalhadora e, como de praxe, um pouco confusa. Para o Dario, consigo ser uma garota de 15 anos, mesmo tendo 21...
Na igreja, sou linda, menininha, um exemplo....
Às vezes me preocupa qual dessas gabriellas vai morrer com o tempo ou vai se esconder num cantinho de mim. Quem dera se o meio não fizesse tanto o papel de transformador da gente. Quem dera se a nossa casca não ficasse dura com tempo e, consequentemente, com as pancadas.
Como dizia Renato Russo: "... o que você vai ser, quando você crescer?..."
E, querido leitor, tomara que ao longo dos anos você não tenha perdido a sua identidade (não a de papel, mas a que existe aí, além de sua carne), ou pior, a barganhado num mercado negro e de negociações atraentíssimas: O mundo que está além de nós. Caso isso tenha acontecido, um conselho: Pare, observe, escute e mude - ainda dá tempo!
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G. Bontempo